Em tempos de pandemia, se reinventar no lar é fundamental

Sicredi Centro oeste Paulista

O período de quarentena, que para muitos virou uma tragédia, mas que na verdade, por maior se ela seja, será sempre menor que a tragédia que pode acontecer se não obedecermos as normas para impedir o avanço do COVID-19, não precisa ser visto assim. O tempo de isolamento, denominado “Fica em Casa”, pode ser muito bem aproveitado para resgatar o convívio familiar, a autorreflexão, meditação e criatividade, entre outras.

Nos últimos tempos, devido ao grande volume de novas tecnologias e bombardeio de informações, parece que vivemos na ansiedade e perdemos um pouco da nossa disciplina e organização para fazer as coisas com qualidade, na quantidade e no tempo necessário.

Analisando o contexto mundial atual, que interfere sobremaneira no cotidiano das famílias, sugerimos, especialmente para quem tem filhos em idade escolar, a aplicação da metodologia de projetos para viver os próximos dias de “Fica em Casa” e transitar pelos quatro pilares da educação: aprender a aprender, aprender a fazer,

aprender a ser e aprender a conviver. A metodologia de projetos é a base central do Programa A União Faz a Vida (PUFV), principal programa de educação do Sicredi (Para saber mais sobre o PUFV e a Metodologia de Projetos acesse: htts://www.auniaofazavida).

Simplificando, a metodologia consiste em dois momentos distintos e interdependentes: Expedição Investigativa, que se constitui numa experiência de exploração de elementos significativos que darão origem ao segundo momento que é o Projeto.

Assim, depois de viver um dia ou mais com os pequenos virando a casa no avesso ou passando o dia todo em frete a TV ou no celular (que todos sabem, é altamente prejudicial em vários aspectos), siga os seguintes passos da metodologia:

EXPEDIÇÃO INVESTIGATIVA

1. Após um dia ou um determinado período, reúna todos os integrantes que convivem sob o mesmo teto (família) e, confortavelmente sentados e com os aparelhos eletrônicos desligados, façam uma roda de conversa para relatar,

com a maior riqueza de detalhes possível, as atividades que fizeram, tentando quantificar o tempo que gastaram ou ficaram em cada atividade. (Dica 1: Uma pergunta que ajuda a direcionar a conversa é: O que fiz e como me senti hoje? – todos os integrantes da roda devem falar e têm o direito de ser ouvidos).

2. Organizar um espaço com folha de papel, cartolina, papel jornal ou um quadro com giz, para anotar com palavras-chave a fala de cada um (Dica 2: se todos souberem escrever, essa parte pode ser feita individualmente anotando cada um na sua folha; também podem ser feitos desenhos ou mapas mentais, nesta etapa).

3. Todas as respostas devem ser sintetizadas e classificadas por categorias, por exemplo: muito importante; menos importante; muito gostosas; menos gostosas… (Dica 3: essa classificação deve ser escrita por uma só pessoas e ficar exposta para todos poderem vê-la; Dica 4: ao construírem esta classificação discutir e argumentar por que acham que é importante ou não, por que é gostoso ou não, por que é necessário ou não, por que é saudável ou não… Dica 5: relacionar a atividade como o tempo gasto em cada uma. Observar que pode-se ter gasto muito tempo com coisas menos importantes e ter gasto pouco tempo com coisas muito importantes).

4. O tempo para essa roda de conversa não deve ser aligeirado e, se necessário, pode ser dividido em várias partes. (Dica 6: os adulto devem entender que o tempo gasto nessa atividade é um tempo riquíssimo de aprendizado para todos e pode se tornar uma “contação de estórias” reais e imaginárias, que favorecem aprender a arte da argumentação oral ou escrita, habilidades de desenho e coordenação motora fina, saber ouvir e respeitar sua vez de falar, a convivência em grupos, etc).

5. Após a realização da primeira etapa e, agora com um pouco mais de consciência do que é importante, necessário, prazeroso e saudável, organizar uma investigação na casa para encontrar entre as coisas guardadas na estante, armários, caixas, gavetas e no próprio fundo do quintal algum livro, material, brinquedo “esquecido” ou sucatas que possam fazer parte de um projeto de atividades. Pesquisar também na internet e em livros disponíveis ou mesmo relembrar atividades e brincadeiras que possam ser realizadas ou que possam ser adaptados ao espaço disponível em sua casa ou quintal, aliados aos materiais encontrados. (Dica 7: utilizar a imaginação para fazer a adaptação dos materiais e espaços, lembrando que a todo momento deve haver diálogo entre os integrantes do grupo e as decisões devem ser sempre da maioria – veja que até agora, aparentemente “ninguém brincou”, mas muitas atividades educativas foram realizadas: pesquisa, exploração, classificação, análise, argumentação, criação, síntese…).

PROJETO (O projeto divide-se em 3 momentos denominados Índice Inicial, Índice Formativo e Índice Final).

1. Índice Inicial

1.1. Diante da síntese e dos conceitos discutidos, dos materiais explorados e das ideias construídas em todas as etapas da expedição investigativa (itens 1 a 5), planejar conjuntamente os próximos dias de “ficar em casa”. (Dica 8: tomar como ponto de partida as perguntas: O que podemos continuar fazendo das atividades que fazíamos antes de começar a “conversa”? Como podemos melhorá-las? O que podemos incluir de atividades novas?)

1.2. Montar um cronograma de atividades a serem realizadas por dia, estabelecendo uma prévia de horário para cada atividade, incluindo refeição e horário de dormir. (Dica 9: os adultos devem conversar com os pequenos para entenderem que tem coisas que “não são gostosas”, mas são necessárias, e tem coisas que “são gostosas”, mas não podem ocupar tempo excessivo. Dica 10: os adultos, sem imposição, mas de forma mediada por eles, devem atentar para que haja equilíbrio entre as atividades de dormir, alimentar, tempo de uso dos eletrônicos, leitura de livro físico, escrita, desenhos, práticas esportivas, brincadeiras e tarefas de casa e tarefas da escola).

2. Índice Formativo

2.1. Adequação dos materiais, organização dos espaços e execução das atividades. (Dica 11: Perceba que quase todas as coisas como materiais, brinquedos, jogos, etc., têm em comum alguns elementos que podem ser pesquisados: nome, origem, características, função, variações conforme o contexto e cultura. Os dados pesquisados podem ser manipulados e socializados no grupo). Lembrando que o planejamento e a execução envolve a participação de todos, seja adulto ou criança. Após um tempo de prática (realização das atividades), devem-se realizar novas rodadas de conversa para avaliar e realinhar o planejamento. Entretanto, qualquer mudança desejada deve ser estudada e decidida pela maioria. É importante, também que haja sempre espaço para que cada um exponha, escreva, desenhe ou fale a respeito de como se sentiram ao realizarem as tarefas. Esse momento pode ser no final de um dia ou a cada 3 ou 4 dias.

3. Índice Final

3.1. Quando a quarentena ou isolamento chegar ao fim, uma nova e ampla roda de conversa deve ser feita para avaliar o período que ficaram em casa. (Dica 12: responder as perguntas: O que foi positivo? O que foi negativo? O que podemos ou queremos continuar fazendo, mesmo sem a obrigação do isolamento? Enfim, avaliar os ganhos pessoais e coletivos).

Observação: Esta metodologia pode ser usada com qualquer número de pessoas e independentemente de idade. Se realizado com crianças bem pequenas que ainda não falam ou escrevem, o adulto ou os adultos debatem e direcionam as atividades para as necessidades diagnosticadas das crianças, adequando-as ao tempo, espaço e material disponível. Outra coisa, não se esqueça de registrar tirando fotos ou filmando alguns momentos das rodas de conversa e das atividades, além de guardar os materiais produzidos, para que se constitua um registro histórico desse período que estamos passando.

Adaptação: Prof. Me. Luiz Gonzaga de Melo

Assessor Pedagógico do Programa A União Faz a Vida

luizgmelo54@gmail.com

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